Bem estar profissional, dinheiro e qualidade de software
Tuesday, 14. June 2011
O mercado o de TI, mais precisamente a área de Desenvolvimento de Software está com uma demanda crescente, mas como todo mundo sabe(ou deveria saber), a relação salário ofertado/currículo esperado não é das melhores. Está claro também que ou você negocia bem a sua entrada em uma empresa ou sua próxima negociação é com uma contra-proposta de saída. Existem as exceções, mas para este tópico eu pretendo falar apenas sobre o que acontece na maioria dos casos.
Quem é da área de Desenvolvimento de Software conhece bem o efeito turn-over. Então quando se fala em aumento de salário, logo se pensa em uma nova empresa. Está claro que muitas empresas preferem pagar mais a quem vem de fora para conseguir atrair o novo funcionário do que aumentar o salário de quem já está na empresa e quer uma forma de subir. Existe uma moeda chamada “Moral” que é muito usada entre a turma que eu converso, e está claro que se você for milhonário em Moral ainda assim sua vontade de procurar novos ares existirá. Não que ela seja dispensável, é totalmente válida e importante, mas ela apenas complementa todo o conjunto.
Eu penso que, isso uma hora cansa e com certeza queima o filme, tanto das empresas quanto dos profissionais. Logo, um acaba por anular o outro e o mundo segue esse ritmo enquanto a demanda for grande como atualmente é. Porém todo mundo quer se estabilizar em algum lugar, quer seguir uma carreira, ter uma grana garantida e que não fique defasada com o passar do tempo.
Com essa tão sonhada estabilidade profissional alguns pensam em ir pro lado do funcionalismo público, onde o ritmo é conhecidamente menor, o salário em geral na nossa área também é menor, porém a pressão é próxima do zero. Esse tipo de busca é comum em quem já possui ou está bem próximo de conseguir sua casa própria e seu carro do ano, pois assim seus gastos mensais são o de manutenção, que mesmo altos ainda são menores do que os gastos ao se adquirir um bem material.
Essa pressão existente em algumas empresas está diretamente relacionada ao seu salário, consequentemente isso pode vir a afetar a sua qualidade de software. Visto que você começa a programar para atingir prazos e não para fazer da melhor forma possível.
Essa visão é usada por muitas empresas para justificar os custos, onde espera-se que uma atividade seja feita em x horas onde deveriam ser 2x horas. O trabalho por vezes é entregue no prazo, mas a qualidade não atinge o esperado, logo alguns gestores culpam os desenvolvedores.
Para um profissional se sentir bem em uma empresa é preciso mais do que salário, sentir-se integrado a equipe, ter uma remuneração no mínimo compatível com o mercado vai fazer com que a equipe faça um trabalho diferenciado. Quase todas as vezes(pra não dizer todas) em que a ordem de codificação segue um caminho unilateral de cima pra baixo a coisa desanda.
A busca do profissional por uma empresa vai além do salario, ele é importante é está entre os 3 principais itens de peso para se mudar de trabalho com toda certeza, mas deve-se lembrar que o profissional precisa se sentir integrado ao time e ao processo de desenvolvimento, do contrário muitos já sabem o que costuma acontecer: a qualidade de software cai.
Se você é gerente ou tem uma abertura para esse tipo de debate, não perca essa oportunidade, mostre a ele que a equipe quer participar, que vocês querem fazer melhor sempre.